domingo, 23 de novembro de 2008

Antes que eu me esqueça

Das diversas coisas que me incomoda, uma das campeãs é a falta de memória. Fico aqui pensando que já me lembro tão pouco da minha viagem no meio do ano, que foi um momento especial, com certeza. Do primeiro semestre, então, não lembro praticamente nada, apenas pouquíssimos momentos isolados, mesmo sendo um momento de novidades e descoberta de algo todo novo que me acompanharia por cinco anos, a universidade. Imagino quantas coisas não se perderam no tempo, desmanchando, desfiando uma vida que passou; mas, a verdade é que não posso nem imaginar, porque já me esqueci o que esqueci.

Não vou dizer que não tem nada de positivo nessa incapacidade de lembrar, pude me reapaixonar tantas vezes; rir duas vezes da mesma piada; surpreender-me diversas vezes com filmes, livros, histórias... Talvez torne a vida mais emocionante.

Também, creio eu que há coisas que não se esquece. Como o quadro que ficou pintado na minha retina da paisagem borrada enquanto eu despencava de oito metros; do momento que, depois de anos jogando futebol com meu primo na infância, consegui dar meu primeiro drible completo nele; o dia de natal no qual eu corri atrás do papai noel até o quarto para ver por onde ele tinha escapado, mas não havia ninguém lá, apenas meu espanto em pessoa e um pequeno cético se tornando crente; a vez que uma garota disse que eu tinha cara de safado e, em vez de sorrir maliciosamente, como o esperado, fiquei apenas vermelho e calado.

Muitas coisas não se esquecem, mas, a maioria sim, é por isso que me levanei de madrugada e apanhei um caderno antes que isso fugisse de mim.

2 comentários:

ArTH disse...

Blogs são bons pra memória.
O ruim é esquecer do que ia escrever...



Obs: A coisa mais linda do mundo é a cara do insight (y)

Simone Schuck disse...

e esse seu título do blog, menino?