domingo, 17 de maio de 2009

veja só, se não é que você voltou
parece que não se esqueceu ainda
lembrando-me de que nada restou
mas, saiba bem, não é bem-vinda
tanto tempo se passou
que nem posso reconhecer
será você a saudade, a solidão, a tristeza...?
bom, não importa, você ganhou
ao contrário de mim, você nunca está só
sempre com suas amigas a me enfraquecer
se não é irônico, o que é?
a solidão nunca está só
essa rude face
esses dentes podres
tentam me morder
não arranque pedaços
me leve inteiro
ou me deixe viver

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sobre coelhos e cães

o texto que estava ocupando esse espaço tinha ficado uma merda, deletei

terça-feira, 12 de maio de 2009

vazio

Lembro-me de que, quando pequeno, ao passar as férias na casa dos meus avós, um sítio, algumas semanas eram especiais, principalmente o natal. Os dias antes do natal eram marcados por preparativos, expectativa, principalmente por parte de uma criança que esperava ansiosamente os seus presentes. Bom, não é isso que me chama a atenção agora, e sim o que acontecia depois, já que após o natal as pessoas iam embora, uma após a outra; inundados por despedidas, ficávamos eu, minha avó e meu avô apenas.

Em uma questão de poucas horas, uma casa que abrigava quarenta pessoas tinha que se contentar com apenas três. O que ficava junto de nós era apenas um sentimento de vazio, um estranhamento que persistia por alguns dias. Tomado por um desnorteamento, demorava até mesmo para pensar no que fazer a seguir, esquecia-me como era minha vida antes da chegada daquelas pessoas. Então, tudo voltava, aos poucos, ao normal.

Hoje, fico triste em pensar que todos se vão e meus avós nem ao menos tem a minha companhia para suportar o vazio.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

rodada dupla


não sei porque me preocupei
se é só encostar o grafite no papel
e assim mesmo, ao léu
sem consternação, sem lei
as palavras vão se amontoando
até chegarem ao céu




Venha, não tenha medo, mas venha quieto, sem preconceito.
Saiba, amigo, que o que escrevo aqui às vezes me descreve perfeitamente, mas em outras é apenas um personagem, alguém que mente. Em alguns casos publico logo que escrevo, no turbilhão de emoção, em outros espero meses, até que o escrito perca o sentido.
Tudo isso para confundir você.
Então se aconchegue confortavelmente, relaxe ao máximo e não procure ser coerente, assim tudo fica mais divertido.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

ônibus

nos ônibus de São Paulo
nas cadeiras mais altas
na altura dos meus olhos
uma barra de ferro
encobre a vista
tenho, assim, que escolher
espichar-me e olhar os prédios
ou me encolher
e assistir as pessoas

domingo, 12 de abril de 2009

Q

meus pensamentos

não me deixam em paz
por que tenho que querer

sem nem mesmo saber o quê, e

esta história de viver
está me
está me
dilacerando

vamos
vamos, que é hora de se levantar
porém, sinto que não me levantarei por inteiro
continuarei meio deitado

deitado

deitado

e
esse poema
foi um plágio

terça-feira, 31 de março de 2009

Trauma? Apenas por um dia

Chego no lugar, muitas crianças correndo, barulho e novidades para se acostumar. Puxado pela mão, minha mãe me levando até uma porta no final do pátio; por ela olho o que acontece lá dentro, a fonte do barulho. Vejo crianças de pé, gritando, muitas folhas espalhadas sobre diversas carteiras, uma parede colorida e com pinturas e desenhos pendurados. Não sei bem o que vou fazer naquele lugar, minha mãe apenas me disse que ia ficar lá até de tarde; porém, agora não tenho tempo para pensar nela, muita coisa para ver.

Minha boca meio aberta, percebo que as crianças todas são amigas, grupinhos brincando, deve ser isso o que vim fazer, mas como vou brincar com essas crianças? Como conhecer pessoas novas? Sinto medo, medo de ficar sozinho em meio a tanto barulho e diferenças. Logo minha boca começa a tremer.

Uma mulher gorda se aproxima, usa uma camisa de flores roxas, ou pelo menos eu acho que são flores, o cabelo bem curto é parecido com o meu e ela tem um grande sorriso. Então sinto um abraço, justo enquanto ainda estava desprevinido.
-Tchau, filho.
-Pode deixar mãe, vou cuidar bem dele.
Quando vou fechar meus braços e aproveitar o carinho, ela já se afastou, apenas vai caminhando para trás enquanto me olha, eu choro. Algumas crianças já me percebem enquanto sou puxado para dentro pela mão gorda, não sei o que fazer, é o dia mais assustador da minha vida. Sento no fundo, onde posso olhar a todos e a mim ninguém; a mulher solta o assovio mais alto que já escutei e diz que a aula vai começar.

No segundo dia, apenas ri divertido quando soube que ia para a escola novamente.