sexta-feira, 13 de junho de 2008
Perdido na Praia da Barra
Hoje te dei um novo par de alianças, e aproveitei para escrever essa carta de amor. Olhe só para nós, dois anos depois e trocando alianças de namoro novamente(como se fossem apenas dois anos, também). E eu buscando presente de dia dos namorados para você, difícil, afinal eu já te dei de tudo: roupas, bijouterias, jóias, CD, flores... Como tudo, até os presentes caíram em uma rotina, mas acho que isso não se pode evitar. Afinal, quem disse que a rotina é ruim? Só não gosta da rotina aquele que não gosta do que faz, e eu gosto de você.
Agora fico pensando sobre o anel enterrado na praia, e em um arqueólogo que daqui a muitos anos irá encontrá-lo, descobrir que alguém começou a namorar uma Amanda La Porta no dia 20-04-06 e se perguntar se ele a amava, até quando durou. Ou talvez ninguém a encontre nunca, e será igualmente belo.
Um beijo para você Amanda,
Pedro Oliveira Obliziner
12-06-08
quarta-feira, 11 de junho de 2008
Alguém puxe o freio de mão
-Olha lá, tem uma pedra enorme na estrada.
-Verdade, você tem que parar o carro, se não vamos bater.
-É, temos que parar o carro.
-Isso tudo é uma farsa, pode continuar, não existe pedra nenhuma.
-Tá louco? Olha a pedra ali! Como você não acredita nela? Tá na sua frente.
-Você só quer desestabilizar nosso motorista, ele não precisa parar.
-Não, é verdade, precisamos parar - disse o motorista enquanto acelerava ainda mais.
-Não temos escolha, alguém vai ter que puxar esse freio de mão - disse um deles, colocando a mão no freio de mão.
-Vamos morrer, vamos morrer! Como ninguém impede essa catástrofe? - exaltou-se um deles, vendo a pedra cada vez mais próxima.
-Fiz um levantamento de dados e conclui que se reduzirmos 10km/h a cada cinco segundos conseguiremos parar com segurança - disse o outro com dezenas de gráficos e papéis no colo.
-Esses dados são falsos, você está tentando manipular a opinião pública - concluiu o cético.
-Já sei, vou fazer um filme, então as pessoas conheceram a verdade e farão algo para parar nosso carro!
-Genial!
-Genial!
-Genial!
-Um filme falso com dados falsos.
E nisso o carro se espatifou na real e enorme rocha.
sábado, 7 de junho de 2008
Como eu sou, como eu fui e como eu serei
2007 foi um ano de diferente para mim, passar no vestibular e estudar mais de 6 horas(fora aula) foi um verdadeiro desafio mesmo e me ajudou a perceber quais eram meus limites e capacidades. Toda essa história modificou completamente minha personalidade, completamente mesmo, e eu achei que o que ficou seria uma forma um pouco mais sólida, que ia suportar mais algum tempo, mas agora estou começando a perceber que não ficou nada, a transformação não terminou e agora parece que não sabe mais para que lado ir.
Uma das coisas que modificou em mim fora um traço que eu sempre tive de... autoconfiança beirando a arrogância, eu tive um momento de "iluminação" e percebi a humildade é talvez a maior qualidade que um homem pode preservar e a busquei. Só que agora eu também começo a entender que aquela minha confiança exagerada era uma espécie de escudo.
Escudo de um medo que sempre tive, de me tornar um fulano, ou um João, como dizia Garrincha. Acho que todos nós temos o sonho de sermos únicos, de nos destacarmos, virar a pessoa mais importante no mundo, a maioria de nós perde esse sonho com um tempo, geralmente pouco tempo, isso é normal, todos nós deixamos alguns de nossos sonhos pelo caminho, mas esse acho que nunca vou abandonar. A idéia de ser apenas mais um me corrói o tempo todo, a única motivação que eu muitas vezes tenho contra a preguiça, meu pior defeito, é a necessidade de lutar para não virar apenas mais um. A humildade que eu tentei alcançar me fez perceber todos meus defeitos e olhar ao redor, analisar bem as pessoas, e acho que percebi que não sou nada mais do que essas pessoas, a minha arrogância, minha certeza de que era um gênio e entraria para historia era uma proteção da dura realidade. Agora eu entendo que devo recuperar minha presunção, porque não sei se consigo viver sem ela, já está difícil; entretanto, não sei se consigo recuperar ela, porque a medida que você enxerga algo é difícil esquecer.
É importante ressaltar também que, apesar de eu usar a palavra arrogância, o que eu quero descrever não é tão grave quanto o peso que essa palavra carrega. Nunca destratei ninguém, nem fui mesquinho, era algo interno, que eu guardava para mim apenas.
Esse texto ficou horrível também, pensei demais no que eu estou sentindo do que nele.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Pé de Jabuticaba
Quando era pequeno havia em meu sítio um pé de jabuticaba.
Todas as férias junto do meu primo eu escalava o pé de jabuticaba.
De dentro dele não podia ver nada, sua copa era tão densa que só via a sombra que ela fazia; mas, o pé de jabuticaba era lindo, com suas infinitas possibilidades de tajetos através de seus inúmeros galhos, que ficavam mais frágeis a medida em que subia.
Incomodava-me o fato do meu primo subir sempre mais alto do que eu, ficando com as melhores frutas, às vezes me passando algumas lá de cima. Não era uma questão de competição, apenas um desejo de estar ali, cada vez mais alto, até estar acima das árvores e ficar a um nada de decolar.
Um dia não tomei consentimento do medo de cair, escalei um galho após o outro, até que o último apareceu a minha frente, então eu me estiquei, até a última fibra do pescoço, coloquei a cabeça além das folhas e vi o mundo!
sexta-feira, 14 de março de 2008
Escrever
Cada instante que passa eu sinto cada vez mais que meu futuro é escrever, de vez em quando me pego nessas duas primeiras semanas de aulas de Psicologia me perguntando, durante a aula, o que daquilo que o(a) professor(a) poderia ser útil e para o que num texto. Claro, nem de longe já estou considerando desistir da psicologia; escrever, por enquanto, está mais para um daqueles hobbys que toma todo seu tempo livre(e algum tempo não livre, como a aula) em que você fica pensando sobre ele, e não o pratica de verdade.
Mas o que anda me perseguindo mais é o como irei escrever, já que eu não o sei. Talvez o pior não seja nem isso, mas eu não tenho idéia de como se começa a inventar algo para depois fazer uma ficção, se é que eu vou escrever ficção, porque também não sei.
Ou talvez o mais grave é o fato de que a cada dia que passa a minha habilidade pífia de escrever parece que escorre para fora da minha cabeça, estou tendo dúvidas de português que nunca tive e meu texto não flui mais do jeito que fluía.
Talvez possa ser apenas o começo de um adeus para mais um sonho. É engraçado que, a medida que envelhecemos(olhe só para mim, falando de envelhecer com 19 anos), vamos diminuindo aquela longa lista de sonhos que tínhamos e que ainda poderiam ser alcançados, depois apenas vamos contemplando os que sobraram, nos perguntando se ainda dá tempo; então, alguns simplesmente desistem por achar que não podem dar a si mesmo uma última tentativa para vê-la se perder como todas as outras.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Veja isto!
Retirado do blog do Andre Dahmer, que, além de me manter informado disso e de muitas outras coisas, me fez aprender a linkar palavras, demais! Então, não se esqueça e Veja logo isso tudo!
Meu plano era não colocar nada político ou que tivesse relação com qualquer coisa da minha vida que não fosse meus pensamentos idiotas, mas estou abrindo essa exceção.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Poder, Bem e Mal
Alguma vez você já teve a experiência de alguém lhe dizer que vai dedicar a vida para que a sua seja bem sucedida? A não ser seus pais, provavelmente ninguém dirá isso honestamente, porque as interações sociais não funcionam deste modo, ninguém dá ajuda a ninguém sem receber a mesma ajuda; muitos dizem que a lei da natureza¹ é aquela de sobreviver ou ser morto, mas talvez a lei mais importante é a que a ajuda mutua trás muitos benefícios, os quais antes eram inalcançáveis sem ela. . A cooperação com dependência nos ensina a dose certa de poder que uma relação deve ter, pois nenhum dos dois organismos é mais poderoso que o outro; na verdade, ambos tem a vida do outro nas mãos, mas se a tirarem, sua vida também será comprometida.
Observando isso, e guardando as devidas proporções, podemos tirar duas conclusões: ninguém ajuda outra pessoa para ver o bem desta, mas sim o seu próprio bem; sendo assim, será que nossa forma de governo tem alguma chance de dar certo? Ao subir no posto de Presidente, ou Senador, aquela pessoa realmente quer o bem da nação como ela diz, ou apenas poder²? Também não acredito que há meios de ajudar uma pessoa em um cargo de poder da mesma forma que ela ajuda a nação, e nem acredito que isso seria justo, porque ela não está lá para receber benefícios - na teoria.
Portanto, o que leva um homem a buscar um cargo de poder? A possibilidade de bondade incondicional não me é muito cativante, pelo contrário, para mim parecemos mais um bando de egoístas do que samaritanos. O que leva um homem a um posto ditatorial e repressivo? A possibilidade de puramente sadismo também me parece estranha, será que há pessoas que simplesmente querem o mal dos outros? Na verdade, os outros pouco importam nisso, e sim o "eu".
¹ Preciso escrever sobre toda essa história de natureza que tem uma grande influência sobre meu pensamento, vou tentar lembrar de fazer isso qualquer dia.
² Viu? Aí está minha falha, não tenho artifícios suficientes pra discutir o "poder".
